Na minha cega ingenuidade olhava em volta e achava que pela simples presença da tua aura o meu corpo ganhava uma nova vida… Quando me fazias sorrir, os problemas, por muito grandes que fossem, desvaneciam-se no meio das nossas gargalhadas e as lágrimas eram levadas pelo vento…
Olhando para trás, apercebo-me de que tudo não passou de uma mentira… Cada sorriso que retribuis-te, fora forjado para me levar a pensar que éramos dois e não um mais um… Que cada palavra que alguma vez a tua boca proferiu, trazia consigo o peso da mentira, peso esse que carrego agora às costas e me faz sofrer…
Infelizmente, a vida é como um relógio de sol… Podes até fazer-lhe sombra e parar o tempo por instantes, mas nunca podes fazer com que a sombra rode para o lado contrário… Era bom que assim fosse… Mas, por outro lado, ainda bem que não é… Tudo o que vivo me serve para crescer como pessoa… Os sorrisos, as lágrimas, os passeios à chuva, são tudo coisas que nunca esquecerei, bem como tudo aquilo que aprendi com eles…
As escolhas que fazemos, condicionam tudo o que gira a nossa volta… Não nos implicam só a nós, mas todos aqueles que mais prezamos e que, mesmo sem nos apercebermos, acabamos por magoar… Magoar fazendo com que mais uma gota de água salgada que nos corre no rosto; Magoar com uma palavra; Magoar com um sorriso; Mas, sobretudo, magoar com o desprezo por tudo o que já passamos…
Não há sorrisos eternos, mas, felizmente, também não se chora para sempre… Alguém me disse um dia que ninguém merece as nossas lágrimas, e que quem as merecer nunca nos fará chorar… Se estou arrependida? Sim, estou… Estou arrependida por ter chorado por ti… Estou arrependida por não teres merecido as minhas lágrimas…
Aquilo que vivemos, transformou-se agora em cinza… Cinza essa de onde renasce agora um sentimento que ninguém tinha feito despoletar em mim: Vergonha… Vergonha por um dia te ter chamado amiga…"
(Dedicado a Rita Moura)

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