O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos
rosa,mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem...

"Romeu e Julieta", William Shakespeare


sexta-feira, 20 de Junho de 2008

Lágrimas...

Olhas-te-me nos olhos... Tocas-te-me com o teu sorriso... Todo o teu ser transparecia uma aura que me deixava completamente indefeso...
Mas apesar do sorriso que mostravas, por dentro não parecias tão feliz... Perguntei o que se passava, porque estavas assim... Disses-te que não era nada, que estavas bem... Pensei que fosse eu que estava a ver coisas onde não existiam... Não disse nada... O silêncio prevaleceu sobre todas as vozes... De um momento para o outro, o teu sorriso não foi capaz de conter mais as lágrimas... Choravas por dentro há demasiado tempo, agora estava na altura de libertares toda a tristeza que levavas guardando...
Fechei os meus braços em redor do teu corpo... Apesar de ver como estavas mais uma vez deixei o meu silencio falar por mim... Sentia o teu corpo junto ao meu, a minha camisola enxugava as tuas lágrimas com uma tal subtileza que nem tu própria davas conta...
Sentia o teu coração a bater junto do meu peito... Sentia todos os singulares batimentos que ele produzia a começarem a ser mais espaçados, bem como a tua respiração... Sentia que estavas agora mais calma... Depois de te oferecer o meu ombro para derramares as tuas lágrimas, entregava-te agora todo o meu ser...
Disses-te que não eras feliz, que nada daquilo que, ate hoje, conheceras fazia agora qualquer sentido... Deitas-te a cabeça sobre o meu peito...
Terminas-te dizendo: "Faz-me acreditar que a felicidade não precisa de ser platónica..."

quinta-feira, 19 de Junho de 2008

"Adeus, não afastes os teus olhos dos meus..."

Esta noite é só nossa! Depois de ter esperado tanto tempo, encontrei-te finalmente e não quero voltar a separar-me de ti... Sempre estiveste tão perto, e eu simplesmente nunca te vi...
Dei-te a mão, finalmente o momento chegara... Os nossos olhares cruzaram-se e os nossos espíritos encontraram-se numa realidade paralela... Sentia os teus dedos a tremer... Estavas tão nervosa como eu... A noite estava gelada... Perante mim, o teu corpo estava estático, imóvel, imperturbável por tudo aquilo que se estava a desenrolar à volta... O físico deixou de importar, apenas o sentimento falava agora...
Mas, de um momento para o outro, os nossos espíritos separaram-se, voltando a tomar lugar no corpo... Não sabia o que se passava... Sentas-te-te no chão, dobras-te as pernas, puseste os braços sobre os joelhos e sobre eles deixas-te cair subtilmente o teu cabelo... Sentei-me ao teu lado, perguntei o que se passava... Disses-te que não podias faze-lo... Havia algo que te impedia... A tua boca dizia "Por favor, desculpa, não o devia ter feito... Desculpa!"... Mas os teus olhos, esses não eram capazes de me mentir, e diziam "Beija-me outra vez!"... Apesar disso, achei que não o devia fazer...
Limitei-me a dizer: "Adeus, não afastes os teus olhos dos meus..."

quarta-feira, 18 de Junho de 2008

Onde estás?

Acordei junto ao mar... O barulho das ondas, que tinha sido para mim uma canção de embalar, servira agora para me despertar do meu sono... Olhei em volta, não estavas... Depois de procurar por ti durante tanto tempo, depois de ter percorrido o mundo todo, sentia-me agora sozinho naquele pequeno recanto... Caminhávamos agora em direcções opostas, e nem o vento parecia ser capaz de nos fazer mudar de direcção...
Era Verão! Apesar de a praia estar cheia de gente, nunca me sentira tão sozinho... Uma vasta memória do teu sorriso assolava agora o meu pensamento... Achava que era algo momentâneo, que iria perecer em breve, mas nem o vento parecia capaz de fazer as minhas memórias tremer... Não queria ser atormentado por elas, mas também não as queria perder...
Olhando em volta, tudo me parecia igual... Vivia num mundo de clones, todos iguais em pensamento e em aspecto, mentes fechadas, condicionadas por frustrações e com necessidade de se auto-afirmarem perante a sociedade... Procurava por ti, tu que me fazias sempre sorrir com as tuas palavras...
Mas insistias em não te mostrar...

terça-feira, 17 de Junho de 2008

Parte de mim...

Esta noite deitei-me na areia... A noite estava límpida, límpida como nunca havia estado antes e, no céu, estavam centenas de estrelas que me olhavam com desprezo... Tinha a lua por companhia, mas nem ela conseguia iluminar o escuro que estava dentro de mim... Falei com ela, tentei perceber o que se passava dentro de mim, mas nem mesmo ela tinha as respostas que procurava...
Com o chegar da manhã, o céu começara a tornar-se mais claro e o sol insistia em sobrepor a sua luz à da lua... Ela despediu-se de mim, pediu desculpa por desta vez não ter conseguido ser tão boa conselheira como costuma ser... O céu era agora do azul que as lágrimas que me corriam na face o pintaram... Ao longe, o mar dizia-me para não desistir e continuar a lutar por aquilo em que acreditava, fosse o que fosse... Apercebi-me então o que se estava a passar comigo: Parte de mim não estava comigo, havia sido levada por alguém para algum lugar e agora não a conseguia encontrar... Por muito que a minha cara se esforçasse por esboçar um sorriso, os meus olhos acabavam sempre por derramar mais uma lágrima...