O que é que há, pois, num nome? Aquilo a que chamamos
rosa,mesmo com outro nome, cheiraria igualmente bem...

"Romeu e Julieta", William Shakespeare


domingo, 27 de Julho de 2008

Adeus não, até sempre...



Sentei-me num banco do jardim... Ansiava pela tua presença... Olhei em volta, não vi ninguém... O vento fez-me companhia, tentava com a sua subtil presença mostrar que não estava sozinho... As minhas mãos estavam frias... A minha pele esquecera o teu calor... Esperava por ti...
Estive ali durante horas à tua espera, no fundo sabia que não virias, mas ainda tinha uma réstia de esperança dentro de mim... Guardava em mim o teu sorriso, o teu olhar, eram eles que davam força à chama que insistia em arder apesar de tudo...
O meu corpo habituara-se ao vento como eu a sentir à solidão... Naquele momento o meu mundo desfez-se... A minha cara já conhecias as lágrimas que chorava uma por uma e aquele banco já as tinha sentido várias vezes...
A chuva chegou e misturou-se com as minhas lágrimas para que ninguém percebesse o quanto chorava... A minha mágoa tinha chegado no dia em que nos afastamos, e desde então faz-me companhia a mim e a minha solidão...


É triste...

terça-feira, 22 de Julho de 2008

O fim do sonho...



"Quem inventou um sorriso
não sabia que ele pode esconder uma lágrima..."


A lua deixou de brilhar, as estrelas recolheram cada uma ao seu cantinho no céu, o mar fez silêncio e afastou-se do céu...
Todos os ciclos começam e acabam um dia... Alguns podem repetir-se vezes sem conta, mas acabam sempre por encontrar o seu término...
Acordei do meu sonho e levei com uma dose de realidade na cara... Todos os sorrisos que partilhamos estão agora perdidos para sempre, todas as converças, todos os passeios de mãos dadas, todas as viagens sem destino desvaneceram-se no meio da névoa que acabou por nos separar... Tudo fora em vão...
Olhando para trás, não me arrependo de nada que tenha feito, simplesmente, se pudesse, mudaria algumas coisas... Fartei-me de olhar em volta e não ver ninguém... De partir a sorrir e acabar por voltar a chorar... Fartei-me do mundo em que vivia, do meu, do teu, do nosso mundo... Fartei-me de todos os sorrisos que agora acabo por me aperceber que não significaram nada...
Fartei-me de mim mesmo por me deixar sempre enganar... Fartei-me das pessoas deste mundo... Fartei-me de tudo... Fartei-me de sorrir quando choro por dentro, de dar uma gargalhada para não soltar um grito, de enchugar uma lágrima a alguém para não ter que enchugar uma lágrima minha...
Fartei-me de ser eu...

"Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:

- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada.
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
"

quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Caminhos...


Acordei esta manhã com o sol que entrava pela janela... Apesar de estar quente, não estava o suficiente para aquecer o meu corpo... Estavas longe... Deitado sobre a minha almofada, pensava agora nos momentos que passamos juntos, em todos os sorrisos, em todas as brincadeiras, em todos os simples gestos que fazem de nós aquilo que somos... O teu sorriso permanecia em mim, apesar de estarmos afastados, no nosso mundo, nunca o estaremos...
Caminhavamos de mãos dadas... A estrada que percorriamos era árida e estava cheia de buracos, mas juntos nada nos fazia parar... Chegamos a um ponto de viragem... Tinhamos dois caminhos à nossa disposição, mas a indecisão apoderou-se dos nossos espíritos... Olhamos em volta, não vimos ninguém... Ninguém que nos pudesse auxiliar...
Um dos caminhos, era árido como toda a estrada que percorreramos até agora... O outro, parecia ser mais facil de percorrer, mas dava apenas para uma pessoa de cada vez e para isso as nossas mãos teriam de perder o contacto uma com a outra...
Qual o caminho a seguir?

domingo, 13 de Julho de 2008

Viver o sonho...


A noite estava fria... O mar e o céu, num acto de cumplicidade, juntaram-se e ficaram abraçados a admirar-nos... As estrelas faziam-nos companhia, sentadas cada uma no seu cantinho do céu, e a lua olhava em volta para tentar perceber o porquê de todo aquele alarido...
Sorris-te para mim... Nas mais simples palavras que podiam existir, disseste-me adeus baixinho... Não me queria afastar de ti... Peguei na tua mão, olhei bem fundo nos teus olhos... Ao longe, o mar aplaudia o meu acto, e dava-me coragem para continuar...
O tempo parou!
Os teus olhos brilhavam como nunca os tinha visto brilhar... A tua mão fria começava agora a aquecer, junto da minha... Os nossos corpos uniram-se e as nossas almas abandonaram-nos ali... Seguimos juntos para uma realidade paralela, o nosso mundo, aquele que existe sempre e onde nada nos consegue separar... Onde os sonhos deixam de ser sonhos e passam a ser realidade... Onde cada momento é único e fica para sempre gravado nas nossas memórias... Onde cada segundo tem um significado... Onde um sorriso significa sempre felicidade... Onde todas as lágrimas são de alegria... Onde um mais um, é sempre igual a dois... Dás mais sentido à palavra tudo e apagas a distância do mais completo dicionário...
Pega na minha mão, toca-me com o teu sorriso, vamos voar juntos para aquele mundo em que somos tudo o que queremos ser...

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terça-feira, 8 de Julho de 2008

O final do ciclo...

"Desde que tudo começou, acho que nunca soube quem verdadeiramente eras… Os meus olhos viam, mas o meu coração negava-se a acreditar… Entreguei-me a ti como nunca havia feito com ninguém antes… Todos os momentos que passei contigo, todos os sorrisos, todos os abraços, todas as palavras que trocamos agora não passam de recordações… Recordações que as lágrimas que me correm na cara infelizmente não conseguem levar consigo…

Na minha cega ingenuidade olhava em volta e achava que pela simples presença da tua aura o meu corpo ganhava uma nova vida… Quando me fazias sorrir, os problemas, por muito grandes que fossem, desvaneciam-se no meio das nossas gargalhadas e as lágrimas eram levadas pelo vento…

Olhando para trás, apercebo-me de que tudo não passou de uma mentira… Cada sorriso que retribuis-te, fora forjado para me levar a pensar que éramos dois e não um mais um… Que cada palavra que alguma vez a tua boca proferiu, trazia consigo o peso da mentira, peso esse que carrego agora às costas e me faz sofrer…

Infelizmente, a vida é como um relógio de sol… Podes até fazer-lhe sombra e parar o tempo por instantes, mas nunca podes fazer com que a sombra rode para o lado contrário… Era bom que assim fosse… Mas, por outro lado, ainda bem que não é… Tudo o que vivo me serve para crescer como pessoa… Os sorrisos, as lágrimas, os passeios à chuva, são tudo coisas que nunca esquecerei, bem como tudo aquilo que aprendi com eles…

As escolhas que fazemos, condicionam tudo o que gira a nossa volta… Não nos implicam só a nós, mas todos aqueles que mais prezamos e que, mesmo sem nos apercebermos, acabamos por magoar… Magoar fazendo com que mais uma gota de água salgada que nos corre no rosto; Magoar com uma palavra; Magoar com um sorriso; Mas, sobretudo, magoar com o desprezo por tudo o que já passamos…

Não há sorrisos eternos, mas, felizmente, também não se chora para sempre… Alguém me disse um dia que ninguém merece as nossas lágrimas, e que quem as merecer nunca nos fará chorar… Se estou arrependida? Sim, estou… Estou arrependida por ter chorado por ti… Estou arrependida por não teres merecido as minhas lágrimas…

Aquilo que vivemos, transformou-se agora em cinza… Cinza essa de onde renasce agora um sentimento que ninguém tinha feito despoletar em mim: Vergonha… Vergonha por um dia te ter chamado amiga…"


(Dedicado a Rita Moura)

segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Cavaleiro de uma causa perdida...

Estávamos na noite mais escura de sempre... A lua sorria para mim, mas apenas lhe conseguia retribuir com uma lágrima... Tudo o que eu alguma vez fora, tinha desaparecido com a névoa do dia em que o vazio se interpôs entre nós...
Em meu redor, tudo agora deixara de ser colorido... Vivia num mundo a preto e branco, onde até o céu deixara de ser azul... À minha volta, todos tentavam sempre arrancar mais um sorriso, alheios à possibilidade de o fazer para que o vissem, em vez de verdadeiramente sentir razões para o fazer...
A triste melancolia da minha vida tornava cada momento enfadonho... Chorava agora como nunca o havia feito antes... As minhas lágrimas tentavam levar as minhas memórias consigo... A chuva também tentara dissolve-las, mas elas insistiam em permanecer dentro de mim... Eram elas que me faziam acreditar que era possível, que valia a pena continuar a lutar, porque nenhuma causa esta perdida enquanto existir alguém que lute por ela...
Remarei contra a maré, voarei contra o vento e atravessarei o mais árido deserto, se alguma dessas simples acções bastar para mostrar que vale a pena continuar a lutar...

terça-feira, 1 de Julho de 2008

Solidão...

Olhei em volta, não estavas... Voltava agora a ter a companhia da solidão, que com o seu pudor tentava contaminar o meu coração com a sua frieza e gelar o meu corpo... Apesar de ter lágrimas nos olhos, pareciam ser indiferentes a todos aqueles que me rodeavam... Perdi-me no meio do nada para reencontrar tudo aquilo que nunca tivera...
Não quero fechar os olhos... Não quero adormecer... Não quero sonhar porque vou acordar e lavar a cara com a dura realidade...