Fiquei a ouvir o silêncio ensurdecedor de todas as palavras que a tua boca deixou por dizer... Os teus olhos espelhavam um brilho triste, e a tua boca discordava constantemente dos teus gestos... A água lavou o teu rosto... O teu olhar tocou o meu e acariciou a minha face... Deixas-te que o esvoaçar do teu cabelo se despedisse por ti e foste embora... Naquele banco vermelho, debaixo daquela árvore, fiquei horas a falar comigo mesmo e a ouvir o sussurro do vento que embalava as folhas que as árvores atiraram para o chão...
A maré desceu, a brisa amainou e eu fiquei sentado na plateia à espera do segundo acto...
segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009
sábado, 10 de Janeiro de 2009
Tempo...
O tempo deixou de ter valor… Por muitos dias que o calendário vá contando, para mim o tempo é acessório… Vejo o mundo envelhecer, enquanto eu permaneço alheio á mudança… Viverei para sempre, mas viverei para que?
Guardo em mim todos os sonhos que o mundo alguma vês sonhou… Vi o sol entrar-me pela janela e pôr fim ao meu sonho, senti a chuva no meu coração e vi a lua por entre as nuvens numa noite de Primavera…
Vivo agora para sentir… Sinto intensamente, sinto sem barreiras, sinto apesar de tudo, sinto apesar de as vezes preferir não o fazer…
Habituei-me a estar sozinho, fui obrigado a ser assim… Achei que não precisava de ninguém a não ser de mim próprio, mas acabei por me aperceber que, quando se tem a eternidade, o tempo escasseia…
Fechei a confiança num cofre, e deitei a chave fora… Esqueci-me de como é ter alguém com quem a possa deixar sem ter medo que ela seja deixada na rua…
E de um momento para o outro, algo começou a ecoar dentro de mim… Ainda que tenha todo o tempo do mundo, ele é demasiado precioso para o perder a pensar sobre o passado, sobre o que poderia ter sido, sobre tudo e sobre nada…
Mais importante do que viver, é fazer com que a vida valha a pena… Aproveitar cada segundo... Não contar a vida por cada respiração, mas por cada momento que foi capaz de fazer a minha respiração parar…
Desisti de arrancar páginas ao calendário… Pousei o relógio na mesa-de-cabeceira e deixei que o pó o envolvesse… Agora não conto dias nem horas, vivo para os segundos e aproveito os momentos pela sua efemeridade…
Melhor do que caminhar sozinho, é poder ter alguém que possa dar-nos a mão e ajudar-nos a levantar quando o vento soprar forte e testar a nossa vontade…
Se formos, iremos juntos…
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