Às vezes penso que nada do que me rodeia é real. Tudo não passa de uma mentira. Sinto que não posso contar com ninguém, e que simplesmente estou entregue a mim próprio. A minha confiança está reservada apenas para aqueles que são capazes de me provar que verdadeiramente a merecem.
É mau olhar em volta e não ver ninguém, mas deve ser ainda pior olhar-se no espelho e ter vergonha de si mesmo. A falsidade e a mentira a que a vossa amizade me obrigou a habituar, marcou-me e magoou-me verdadeiramente. Dizem que ninguém dá nada sem receber algo em troca. Pois bem, todos os que dizem isso estão redondamente enganados. Eu dei, dei de mim, dei mais do que tinha, mas, ainda assim não recebi nada em troca. O vosso cinismo corrói, e o vosso falso moralismo vestido de amizade um dia ainda voltará com toda a sua força mas tomará a direcção contrária.
Mais do que mostrar quem sou, deixo que o meu passado fale por mim. Vocês criticam, mas no fundo, a vossa crítica é apenas uma frustração recalcada dentro de um espírito fraco. Ainda não passas-te pela frase em que te apercebes que um amigo foi amigo ontem, é amigo hoje, e amanhã ainda será. Um amigo não é descartável, não se usa quando dá jeito, e depois é deitado fora. Eu mais do que tentar provar a toda a gente que não sou o que dizem que sou, deixo que o meu passado fale por mim.
A minha sombra tem o tamanho da vossa inveja, e essa é a principal razão pela qual desisto de vocês. A minha sombra cresce porque o meu passado tem argumentos para falar por mim. Tenho factos do meu lado, e contra factos não há argumentos. O vosso problema é não saberem lidar com o fracasso, e deixam que a frustração tome o controlo.
Julgas o que eu pratico, mas por trás és capaz de ser alguém que alguém critica. Criticas sem te apercebes que as criticas que fazes se dirigem a um espelho. Criticas em mim aquilo que profetizas. Apontas com um dedo, mas não te apercebes que tens os restantes quatro dedos da tua própria mão a apontarem para ti. A verdadeira definição de contradição… Por cada defeito que apontas, confrontas-te com mais uma das tuas fraquezas. Tens medo de escolher um caminho, por isso és apenas mais uma ovelha que segue o rebanho.
Há muitos sons no ar, mas nem todos eles são música. Podem dizer o que quiserem. Podem trazer a vossa equipa cheia de estrelas que amanhã estarão todas no banco, podem até comprar alguns do nosso plantel, mas nunca poderão ter-nos a todos. Nós somos a equipa que joga com a verdade como principal aliada, e essa é a única arma que nunca poderá ser derrotada.
Apenas me dou a conhecer a quem quero, e apenas aqueles que me conhecem verdadeiramente podem pronunciar-se sobre quem eu sou. Todos os outros poderão fazer ruído de fundo, mas nunca farão música.
Se não praticas o que pregas, de que te servem essas regras? Se não segues as tuas próprias regras, porque as fazes? A importância que tens, não a tens porque queres. Não a compras porque não se vende. Não recebes porque não se pode dar. Tens que a construir. A pouco e pouco, pedra a pedra, criá-la-ás naqueles que te rodeiam. É a presença que passas todos os dias, e apenas assim poderás fazer com que aquilo que digas valha a pena ser ouvido.
A vossa hipocrisia vai acabar por engolir-vos, mas nessa altura eu vou estar lá, não para vos ver cair, mas para vos dar a mão e vos ajudar a levantar. Eu, ao contrário de vocês, posso estar ferido, mas nunca deixarei um companheiro abatido ficar para trás.
sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
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